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Análise Exploratória 30 Mai 2026 12 min de leitura

IDHM-PNAD 2024: Análise Exploratória por Região Geográfica do Brasil

Análise exploratória do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal estimado pela PNAD (IDHM-PNAD) para os 26 estados e o Distrito Federal, com foco nas disparidades entre as cinco regiões geográficas do Brasil no ano de 2024.

Este artigo apresenta uma análise exploratória de dados (AED) do IDHM-PNAD 2024, indicador que estima o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal com base nos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), produzida pelo IBGE. O objetivo é identificar padrões de desigualdade regional no desenvolvimento humano entre as cinco regiões geográficas do Brasil Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste, calculando médias regionais, elaborando rankings e destacando os estados mais e menos desenvolvidos em cada região.

1. Introdução

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma das métricas mais utilizadas internacionalmente para mensurar o bem-estar de uma população, combinando dimensões de longevidade, educação e renda em um único indicador sintético, variando de 0 (mínimo) a 1 (máximo). No contexto brasileiro, o IDHM-PNAD amplia a capacidade analítica ao permitir estimativas anuais baseadas na PNAD Contínua, superando a limitação do IDH convencional, que depende de dados censitários decenais.

O Brasil é marcado por profundas desigualdades regionais, historicamente documentadas em indicadores socioeconômicos, de saúde e de acesso a serviços. Esta análise busca quantificar e contextualizar essas disparidades sob a ótica do IDHM-PNAD 2024, cobrindo todos os 27 entes federativos 26 estados e o Distrito Federal.

2. Metodologia

Os dados utilizados foram extraídos da consulta https://www.atlasbrasil.org.br/consulta/planilha, contendo os valores do IDHM-PNAD para o ano de 2024, um registro por unidade federativa (27 observações). A metodologia compreendeu:

  • Atribuição de cada unidade federativa à respectiva região geográfica (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste), conforme classificação do IBGE;
  • Cálculo da média aritmética simples do IDHM-PNAD para cada região;
  • Elaboração de ranking regional por média decrescente;
  • Identificação dos estados com maior e menor IDHM dentro de cada região;
  • Construção de gráfico de barras comparativo das médias regionais.

O Distrito Federal, unidade sui generis do ponto de vista federativo, foi alocado na Região Centro-Oeste, conforme a convenção geográfica padrão do IBGE. Todos os cálculos utilizam média simples sem ponderação por população, de modo que cada estado tem peso equivalente na média regional.

3. Panorama Nacional

O Brasil apresentou, em 2024, um IDHM-PNAD médio nacional de 0,797, calculado sobre os 27 entes federativos. O indicador oscila entre 0,745 (Maranhão, menor valor nacional) e 0,866 (Distrito Federal, maior valor nacional), resultando em uma amplitude de 0,121 ponto expressiva para um índice normalizado entre 0 e 1.

IndicadorValor
Ano de referência2024
N.º de unidades federativas27 (26 estados + DF)
Média nacional (simples)0,797
Maior IDHM-PNAD0,866 — Distrito Federal
Menor IDHM-PNAD0,745 — Maranhão
Amplitude0,121 ponto
FonteAtlas Brasil / PNAD Contínua – IBGE

Tabela 1 – Resumo estatístico do IDHM-PNAD 2024 no nível nacional. Fonte: Atlas Brasil / IBGE.

4. Análise por Região

4.1 Médias regionais do IDHM-PNAD

A tabela a seguir apresenta a média do IDHM-PNAD 2024 para cada uma das cinco regiões geográficas do Brasil, acompanhada do número de estados, do estado com maior índice e do estado com menor índice dentro de cada região.

RegiãoNº EstadosMédia IDHM-PNADMaior (estado)Menor (estado)
Sul 3 0,8243 SC — 0,833 RS — 0,818
Centro-Oeste 4 0,8225 DF — 0,866 MS — 0,797
Sudeste 4 0,8175 SP — 0,838 ES — 0,804
Norte 7 0,7716 TO — 0,797 AC — 0,754
Nordeste 9 0,7614 RN — 0,778 MA — 0,745

Tabela 2 – Médias regionais do IDHM-PNAD 2024. SC = Santa Catarina, DF = Distrito Federal, SP = São Paulo, TO = Tocantins, RN = Rio Grande do Norte, AC = Acre, MS = Mato Grosso do Sul, ES = Espírito Santo, MA = Maranhão. Fonte: Atlas Brasil / IBGE.

4.2 Gráfico comparativo das médias regionais

O gráfico de barras horizontais abaixo evidencia o gradiente de desenvolvimento humano entre as regiões brasileiras. A diferença entre a região mais desenvolvida (Sul, 0,8243) e a menos desenvolvida (Nordeste, 0,7614) é de 0,063 ponto o equivalente a uma disparidade substancial quando considerada a escala comprimida do indicador.

Figura 1 – IDHM-PNAD médio por região geográfica (Brasil, 2024)

0,74 0,76 0,78 0,80 0,82 0,84 0,86 IDHM-PNAD médio Sul 0,8243 Centro-Oeste 0,8225 Sudeste 0,8175 Norte 0,7716 Nordeste 0,7614 Média BR 0,797

Fonte: Atlas Brasil / PNAD Contínua – IBGE, 2024. A linha tracejada vermelha indica a média nacional simples (0,797).

5. Ranking Regional

Ordenando as regiões por média decrescente do IDHM-PNAD 2024, obtém-se o seguinte ranking:

PosiçãoRegiãoMédia IDHM-PNADSituação vs. Média Nacional
Sul 0,8243 +0,027 acima
Centro-Oeste 0,8225 +0,026 acima
Sudeste 0,8175 +0,021 acima
Norte 0,7716 −0,026 abaixo
Nordeste 0,7614 −0,036 abaixo

Tabela 3 – Ranking regional por IDHM-PNAD médio (2024). Média nacional = 0,797 (média simples dos 27 entes). Fonte: Atlas Brasil / IBGE.

As três regiões do Centro-Sul (Sul, Centro-Oeste e Sudeste) superam a média nacional, enquanto Norte e Nordeste ficam abaixo dela. Merece atenção o fato de que o Centro-Oeste, historicamente visto como região de desenvolvimento intermediário, ultrapassou o Sudeste na média simples puxado principalmente pelo alto índice do Distrito Federal (0,866), que é o maior do país.

6. Destaques por Estado dentro de Cada Região

6.1 Região Norte

A Região Norte apresenta a segunda menor média entre as cinco regiões (0,7716), com todos os sete estados abaixo de 0,800. A dispersão interna é moderada: a diferença entre o maior (Tocantins, 0,797) e o menor (Acre, 0,754) é de 0,043 ponto.

EstadoIDHM-PNADDestaque
Tocantins0,797🥇 Maior da região
Rondônia0,786
Roraima0,780
Amapá0,759
Pará0,758
Amazonas0,767
Acre0,754⚠ Menor da região

Tabela 4 – IDHM-PNAD 2024, estados da Região Norte. Fonte: Atlas Brasil / IBGE.

Tocantins (0,797), embora geograficamente inserido no Norte, faz fronteira com o Centro-Oeste e apresenta dinâmica socioeconômica mais próxima à região vizinha, o que pode explicar seu destaque positivo. O Acre (0,754) é o único estado da região com IDHM-PNAD inferior a 0,760.

6.2 Região Nordeste

Com nove estados e a menor média regional (0,7614), o Nordeste concentra as quatro menores unidades federativas do país em termos de IDHM-PNAD. A dispersão interna é de 0,033 ponto (entre Maranhão e Rio Grande do Norte).

EstadoIDHM-PNADDestaque
Rio Grande do Norte0,778🥇 Maior da região
Ceará0,773
Sergipe0,761
Paraíba0,760
Pernambuco0,767
Piauí0,764
Bahia0,759
Alagoas0,746
Maranhão0,745⚠ Menor da região e do Brasil

Tabela 5 – IDHM-PNAD 2024, estados da Região Nordeste. Fonte: Atlas Brasil / IBGE.

O Maranhão (0,745) ocupa a última posição no ranking nacional, enquanto o Rio Grande do Norte (0,778) destaca-se positivamente no contexto nordestino indicando heterogeneidade interna relevante dentro da própria região.

6.3 Região Sudeste

O Sudeste apresenta média de 0,8175 e todos os estados acima de 0,800, confirmando seu papel como a região de maior concentração de desenvolvimento humano em termos absolutos. A dispersão interna (0,034 ponto entre SP e ES) é moderada.

EstadoIDHM-PNADDestaque
São Paulo0,838🥇 Maior da região
Rio de Janeiro0,819
Minas Gerais0,809
Espírito Santo0,804⚠ Menor da região

Tabela 6 – IDHM-PNAD 2024, estados da Região Sudeste. Fonte: Atlas Brasil / IBGE.

São Paulo (0,838) é o segundo maior IDHM-PNAD do país, superado apenas pelo Distrito Federal. Todos os estados do Sudeste apresentam índice acima de 0,800, refletindo maior homogeneidade regional interna comparada ao Norte e Nordeste.

6.4 Região Sul

A Região Sul lidera o ranking nacional com média de 0,8243, apresentando a menor dispersão interna entre todas as regiões (amplitude de apenas 0,015 ponto). Os três estados sulistas figuram entre os seis mais desenvolvidos do país.

EstadoIDHM-PNADDestaque
Santa Catarina0,833🥇 Maior da região
Paraná0,822
Rio Grande do Sul0,818⚠ Menor da região

Tabela 7 – IDHM-PNAD 2024, estados da Região Sul. Fonte: Atlas Brasil / IBGE.

A Região Sul é a mais homogênea do Brasil em termos de IDHM-PNAD: a diferença entre Santa Catarina (maior) e Rio Grande do Sul (menor) é de apenas 0,015 ponto. Isso sinaliza desenvolvimento humano distribuído de forma mais equânime entre os três estados.

6.5 Região Centro-Oeste

O Centro-Oeste ocupa o 2º lugar no ranking regional (0,8225), mas apresenta a maior dispersão interna de todas as regiões (0,069 ponto entre DF e MS). Isso decorre do efeito do Distrito Federal (0,866), cujo IDHM-PNAD atípicamente elevado eleva a média regional.

Estado/UFIDHM-PNADDestaque
Distrito Federal0,866🥇 Maior da região e do Brasil
Goiás0,815
Mato Grosso0,812
Mato Grosso do Sul0,797⚠ Menor da região

Tabela 8 – IDHM-PNAD 2024, estados da Região Centro-Oeste. Fonte: Atlas Brasil / IBGE.

O Distrito Federal (0,866) é um outlier positivo: sua condição de capital federal, com concentração de servidores públicos de alta renda, infraestrutura diferenciada e acesso amplo a serviços públicos de qualidade, gera distorção para cima na média do Centro-Oeste. Sem o DF, a média regional cairia para aproximadamente 0,808 próxima à do Sudeste.

7. Comparativo Estadual Nacional

O gráfico a seguir apresenta o IDHM-PNAD de todos os 27 estados e o DF, organizados por região, permitindo visualizar o padrão geral de distribuição regional.

Figura 2 – IDHM-PNAD 2024 por Unidade Federativa e Região

0,797 0,72 0,74 0,76 0,78 0,80 0,82 0,84 0,86 0,88 RO AC AM RR PA AP TO NORTE MA PI CE RN PB PE AL SE BA NORDESTE MG ES RJ SP SUDESTE PR SC RS SUL MS MT GO DF C-OESTE Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Média nacional

Fonte: Atlas Brasil / PNAD Contínua – IBGE, 2024. A linha tracejada vermelha indica a média nacional simples (0,797).

8. Conclusões

  • A Região Sul lidera o ranking nacional de IDHM-PNAD médio (0,8243), seguida de perto pelo Centro-Oeste (0,8225) e Sudeste (0,8175);
  • Norte (0,7716) e Nordeste (0,7614) ficam abaixo da média nacional (0,797), sinalizando persistência das desigualdades regionais históricas do Brasil;
  • O Distrito Federal (0,866) é o maior IDHM-PNAD do país e distorce a média do Centro-Oeste para cima, enquanto o Maranhão (0,745) ocupa a última posição nacional;
  • A Região Sul é a mais homogênea: amplitude interna de apenas 0,015 ponto, indicando desenvolvimento humano distribuído de forma mais equânime entre os três estados;
  • O Centro-Oeste apresenta a maior heterogeneidade interna (amplitude de 0,069 ponto), reflexo do contraste entre o DF e os demais estados da região;
  • Todos os estados do Sudeste e Sul superam 0,800, enquanto nenhum estado do Norte e Nordeste atinge esse limiar em 2024;
  • A diferença entre o estado mais desenvolvido (DF, 0,866) e o menos desenvolvido (Maranhão, 0,745) é de 0,121 ponto equivalente a 13,9% do range do índice, dimensão expressiva para um indicador normalizado.

Os resultados reafirmam a necessidade de políticas públicas focalizadas nas regiões Norte e Nordeste, especialmente em estados como Maranhão, Alagoas e Acre, onde o IDHM-PNAD se mantém consistentemente abaixo da média nacional. Recomenda-se o aprofundamento da análise com decomposição do IDHM por suas dimensões constitutivas longevidade, educação e renda —, a fim de identificar os gargalos específicos em cada unidade federativa e subsidiar intervenções mais precisas.

Referências

  • Atlas Brasil. IDHM-PNAD 2024. Disponível em: atlasbrasil.org.br. Acesso em: 19 jun. 2026.
  • IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). Rio de Janeiro: IBGE, 2024.
  • PNUD Brasil; IPEA; FJP. Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil. Brasília: PNUD, 2013.
  • UNITED NATIONS DEVELOPMENT PROGRAMME. Human Development Report 2023/24. Nova York: UNDP, 2024.

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